Caderno de Saúde 01

Perfil Demográfico

Plano Municipal de Saúde 2026-2029

Município


1. Apresentação

Este Caderno integra a Análise de Situação de Saúde (ASIS) do PMS 2026-2029 de Bujaru. Seu objetivo é sistematizar e interpretar os dados demográficos do município, de modo que a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde, o Conselho Municipal de Saúde e os demais atores do planejamento disponham de uma base analítica para identificar necessidades, definir prioridades e dimensionar a oferta de serviços de saúde.

Município: Bujaru (PA, IBGE 150190) Macrorregião de Saúde: Metropolitana (nordeste paraense) Região de Saúde: Metropolitana III Porte: Pequeno II (entre 20 mil e 50 mil habitantes) IDH-M: 0,547 (baixo, Censo 2010)

Sumário

  1. Sumário gerado automaticamente a partir das seções do caderno.

Resumo Executivo

Bujaru entra no PMS 2026-2029 com perfil demográfico marcado por queda significativa decorrente da revisão do Censo 2022, com leve declínio na série pós-censitária. Na janela 2015-2025 (IBGE/SIDRA agregado 6579 + Censo 2022 + estimativas pós-censitárias consolidadas no DW Akapu), o saldo da década é de -2.624 habitantes (-9,5%); no recorte pós-Censo 2022-2025, o saldo é de -340 habitantes (-1,34%). A estimativa do IBGE para 2026 é tipicamente publicada em julho de cada ano.

Para o sistema de saúde, o sinal a reter é o ritmo da transição demográfica: a leitura desses números, por si só, exige cautela e precisa ser combinada com indicadores de vulnerabilidade, fluxos migratórios, capacidade instalada da rede e perfil epidemiológico para tradução em prioridades de gestão. A capacidade instalada materno-infantil deve ser preservada e qualificada; a rede de atenção à pessoa idosa precisa ser ampliada de forma planejada ao longo do quadriênio.

Para o quadriênio, três frentes mínimas são prioritárias ao PMS:

  • Atualizar a leitura demográfica com a estimativa IBGE 2026 (esperada para julho/2026) e revisar metas de cobertura à luz da nova base.
  • Estruturar a linha de cuidado da pessoa idosa (Portaria GM/MS 2.528/2006 consolidada na PC GM/MS 2/2017, Anexo IX) e implantar atenção domiciliar (Portaria GM/MS 689/2023) compatíveis com o crescimento da faixa 60+.
  • Realizar limpeza periódica da base do e-SUS AB e cruzamento com SIM/SINASC, condição técnica para todos os indicadores de cobertura e financiamento (Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024)).

2. Localização e território

Bujaru é município do nordeste paraense, próximo a Belém, com economia baseada em agricultura familiar (em particular o cacau), extrativismo e pesca. Integra a Região Metropolitana de Belém e tem forte vínculo de migração pendular com a capital.

2.1. Mapa do município

O território do município é apresentado a seguir com os limites oficiais. A leitura geográfica é insumo direto para a organização da rede de saúde, definindo dispersão da população, tempo de deslocamento até a sede municipal e até os polos regionais, e a viabilidade de equipes itinerantes ou de cobertura ribeirinha quando for o caso.

Fonte: malha territorial oficial do IBGE consolidada no Data Warehouse Akapu.

3. População total e série histórica (2015-2025)

AnoPopulaçãoVariação anual
201527.689-
201628.016+327 (+1,18%)
201728.331+315 (+1,12%)
201828.832+501 (+1,77%)
201929.132+300 (+1,04%)
202029.427+295 (+1,01%)
202129.717+290 (+0,99%)
202225.405-4.312 (-14,51%)
202325.256-149 (-0,59%)
202425.112-144 (-0,57%)
202525.065-47 (-0,19%)

Fonte: IBGE, estimativas populacionais anuais 2015-2021 (SIDRA, agregado 6579), Censo Demográfico 2022 e estimativas 2023-2025 consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE.

Ressalva metodológica. Quanto aos dados do IBGE, cabe registrar que há indícios de discrepâncias entre os resultados do Censo Demográfico 2022, as estimativas populacionais anuais e os registros locais de população utilizados no planejamento. Também foram observadas inconsistências na base do e-SUS AB, especialmente em cadastros ativos, inativações e duplicidades, o que pode produzir descasamento entre as informações. Por isso, IBGE e e-SUS AB são apresentados de forma comparativa, para subsidiar a análise técnica e a qualificação das bases de informação.

Análise

A população de Bujaru apresenta, no intervalo 2015-2025 segundo as estimativas oficiais do IBGE consolidadas no DW Akapu, queda significativa decorrente da revisão do Censo 2022. Entre 2015 (27.689 hab) e 2021 (29.717 hab), as estimativas anuais pré-censitárias seguiram trajetória própria; o Censo Demográfico 2022 (25.405 hab) revelou superestimação de 14,5% em relação à projeção de 2021 (4.312 hab; -14,5%). Entre 2022 e 2025, as estimativas pós-Censo apontam 25.065 hab. No saldo da década (2015→2025), o resultado líquido é de 2.624 habitantes (-9,5%), a ser lido como tendência de fundo para o dimensionamento do sistema de saúde no quadriênio 2026-2029.

Esses números são insumo para todos os demais cadernos da ASIS: dimensionam o denominador para indicadores de cobertura e mortalidade, calibram metas do Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) e suportam a leitura da capacidade instalada (rede assistencial, força de trabalho, recursos financeiros).

3.1. Recorte pós-Censo 2022-2025

O recorte abaixo isola o intervalo pós-Censo 2022 para evidenciar a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias do IBGE/DW Akapu (sem o ruído do salto entre a estimativa de 2021 e o resultado do Censo 2022) e permite ao gestor enxergar com clareza o ritmo da curva atual.

AnoPopulaçãoCrescimento absolutoTaxa de crescimento
202225.405--
202325.256-149-0,59%
202425.112-144-0,57%
202525.065-47-0,19%

No quadriênio 2022-2025, o município apresentou redução líquida de 340 habitantes (-1,34%), caracterizando uma trajetória de leve declínio com desaceleração. A leitura ano a ano permite identificar se o ritmo está se acentuando, estabilizando ou revertendo, sinal direto para o dimensionamento da rede no quadriênio 2026-2029.

3.2. Crescimento natural: nascimentos e óbitos no pós-Censo

Para qualificar a leitura da desaceleração populacional, o caderno compara a variação estimada pelo IBGE com o crescimento natural registrado nos sistemas de informação em saúde: nascidos vivos do SINASC e óbitos do SIM. O saldo natural não explica sozinho a variação populacional — que também depende de migração, revisão censitária e atualização cadastral —, mas indica se a dinâmica biológica do município pressiona a população para crescimento ou retração.

AnoNascidos vivosÓbitosSaldo natural
2022380135+245
2023411130+281
2024335127+208
2025364158+206
Total1.490550+940

No acumulado de 2022 a 2025, Bujaru registrou 1.490 nascidos vivos e 550 óbitos, resultando em saldo natural positivo de +940 pessoas. Isso significa que os nascimentos ainda superam os óbitos; portanto, quando a população estimada cai ou cresce menos do que esse saldo sugeriria, a principal hipótese de planejamento passa a ser migração líquida negativa, revisão da base populacional ou inconsistência cadastral, e não ausência de nascimentos.

Em 2025, o saldo natural foi de +206 (364 nascimentos e 158 óbitos). Para o PMS 2026-2029, a implicação prática é que a desaceleração deve ser interpretada junto com a natalidade, a mortalidade e a mobilidade populacional: a rede materno-infantil não pode ser reduzida automaticamente, enquanto a linha de cuidado da pessoa idosa precisa crescer porque os óbitos acompanham o envelhecimento e a maior carga de condições crônicas.

População e-SUS AB no DW

IndicadorValor
População IBGE 202525.065
Cidadãos vivos ativos no e-SUS AB32.518
Total de cidadãos cadastrados no e-SUS AB34.464
Diferença e-SUS AB vs IBGE+7.453 (+29,7%)

A população operacional do e-SUS AB no DW soma 32.518 cidadãos vivos ativos. Esse número não substitui a população oficial do IBGE, mas é indispensável para interpretar cobertura, cadastro territorial, financiamento da APS e possíveis distorções dos indicadores. Diferenças relevantes entre e-SUS AB e IBGE devem orientar higienização cadastral, busca de duplicidades, inativação de óbitos e atualização de mudanças de domicílio.

Fonte: nascimentos do SINASC, base local municipal; óbitos do SIM, base local municipal. População e-SUS AB: e-SUS AB, base local municipal. Quando a base local SIM/SINASC/SINAN não está disponível no Data Warehouse Akapu, o caderno usa as bases federais DATASUS correspondentes e registra essa substituição na Nota Técnica de apresentação.

3.3. Projeção populacional para 2029 (fim do quadriênio PMS)

Esta subseção apresenta a projeção da população residente de Bujaru para o final do quadriênio do PMS 2026-2029. A projeção é estimada por regressão linear simples sobre a série pós-Censo 2022-2025, janela escolhida deliberadamente para evitar misturar a ruptura censitária de 2022 com a tendência efetivamente observada nas estimativas pós-censitárias. Intervalo de confiança 95% para 2029: 24.371-24.767.

AnoPopulaçãoCrescimento absolutoTaxa de crescimentoStatus
202525.065--Observado
202624.949-116-0,46%Projeção
202724.832-117-0,47%Projeção
202824.716-116-0,47%Projeção
202924.569-147-0,59%Projeção

Em 2029, a população projetada de Bujaru é de aproximadamente 24.569 habitantes (-496 hab; -1,98%) em relação a 2025, mantendo a taxa anual média observada no pós-Censo de -116 hab/ano. Essa projeção é insumo técnico de planejamento e não substitui a estimativa oficial IBGE/TCU quando publicada para o ano corrente: ao final de cada julho do ciclo, o caderno deve ser revisto à luz das novas estimativas anuais.

Para o PMS 2026-2029, a leitura prática é: o município deve dimensionar capacidade da rede, metas de cobertura e planejamento orçamentário considerando uma trajetória de redução ao longo do quadriênio. A projeção dialoga diretamente com as implicações descritas na subseção 3.4 e com os recortes específicos da pirâmide etária, do crescimento natural (nascimentos × óbitos) e da limpeza cadastral do e-SUS AB.

3.4. Implicações da desaceleração demográfica para o PMS 2026-2029

A trajetória demográfica de Bujaru no intervalo pós-Censo 2022-2025 é de leve declínio com desaceleração ao longo do quadriênio pós-Censo: saldo líquido de -340 habitantes (-1,34%) no quadriênio. Combinado com a revisão do Censo 2022 (-4.312 hab; -14,51% em relação à projeção pré-censitária de 2021), a década 2015-2025 fechou com -2.624 habitantes (-9,5%). A leitura comum — "o município está encolhendo, então a rede pode encolher" — é equivocada. O que está em curso é transição demográfica acelerada: a base infantil retrai e a faixa 60+ avança. A demanda total muda de natureza, não apenas de volume.

Impacto direto no financiamento per capita. O Saúde Brasil 360 — cofinanciamento federal do Piso APS (Portaria GM/MS 3.493/2024) — e o PAB usam o denominador populacional. Município com menos habitantes recebe menos transferência, o custo per capita aumenta com o envelhecimento (idoso consome mais consultas, exames, medicamentos contínuos e atenção domiciliar). Configura-se uma tesoura: receita cai, custo unitário sobe. O DOMI do PMS 2026-2029 precisa antecipar essa assimetria, prever fontes próprias para o aumento de custo idoso e revisar metas de cobertura à luz da nova base populacional.

Distorção dos indicadores em vigência e prioridade da limpeza cadastral. As metas do PMS 2022-2025 e os pactos do então Previne Brasil (substituído em 2024 pelo cofinanciamento federal do Piso APS, no âmbito do Saúde Brasil 360 — Portaria GM/MS 3.493/2024) foram fixados sobre estimativas pré-Censo, agora corrigidas. Algumas coberturas reportadas como "atingidas" no quadriênio anterior, recalculadas com a base do Censo 2022, podem não ter sido atingidas — o RAG/RDQA do quadriênio anterior precisa ser relido com essa lente. Adicionalmente, o cadastro do e-SUS AB tende a acumular pessoas que migraram, faleceram sem registro ou foram duplicadas, e municípios com declínio populacional são os mais suscetíveis a sobrecadastro: a limpeza cadastral periódica, com integração ao SIM e verificação em campo pelos ACS, deve ser meta explícita do primeiro ano do PMS 2026-2029, antes de qualquer outra meta de cobertura.

Migração, força de trabalho e pressão regional. O declínio populacional na Amazônia paraense não é apenas queda de fecundidade — é também migração intermunicipal de pessoas em idade ativa para centros maiores. Belém e Castanhal (Região de Saúde Metropolitana III) é o principal destino dessa migração e o principal polo de referência da rede regional. Para o sistema de saúde, isso significa: (i) dificuldade crescente de fixação de médicos e enfermeiros em vínculo permanente, ampliando a dependência de PMMB e contratação temporária — exatamente o oposto do que o envelhecimento exige (longitudinalidade do cuidado); (ii) aumento do TFD (Tratamento Fora do Domicílio) para média e alta complexidade, com pressão sobre o município-polo regional, exigindo pactuação reforçada via CIR.

Posição estratégica para o PMS 2026-2029. A proximidade com Belém amplia a migração pendular de pessoas em idade ativa, retirando do município trabalhadores e contribuintes ao mesmo tempo em que mantém a demanda por serviços de saúde locais — particularmente da população idosa que permanece no território. A recomendação é tratar a desaceleração não como notícia negativa, mas como gatilho para reorientação: priorizar reorganização qualitativa sobre expansão quantitativa; pactuar regionalmente o que não pode ser sustentado municipalmente; tornar a integração das bases de informação (e-SUS AB, SIM, SINASC, CNES) pré-requisito para metas de cobertura; blindar a fixação de profissionais em vínculo permanente como condição de longitudinalidade; e construir desde já a linha de cuidado da pessoa idosa, em vez de reagir quando a pressão se materializar.

4. Pirâmide etária (2025)

Faixa etáriaMasculinoFemininoTotal%
0-41.0129751.9877,9%
5-91.0781.0382.1168,4%
10-141.1271.1062.2338,9%
15-191.2031.2232.4269,7%
20-292.1912.1304.32117,2%
30-391.8181.8163.63414,5%
40-491.6751.5443.21912,8%
50-591.2311.1162.3479,4%
60-697687201.4885,9%
70-794414118523,4%
80+1952474421,8%
Total12.73912.32625.065100,0%

Análise da estrutura

A pirâmide etária de Bujaru em 2025 tem perfil intermediário, combinando base juvenil relevante, concentração adulta e topo em expansão gradual. A leitura central para o PMS 2026-2029 não é apenas o tamanho da população, mas a combinação entre entrada menor de crianças, concentração de adultos e crescimento progressivo do contingente de 60 anos ou mais.

A base mostra retração recente: a faixa 0-4 anos reúne 1.987 pessoas (7,9%), abaixo de 5-9 anos (2.116) e de 10-14 anos (2.233). Esse desenho sugere queda recente da fecundidade e tende a aliviar, de forma gradual, a pressão por expansão de vagas e ações voltadas à primeira infância.

O bojo populacional está nas idades adultas: o grupo de 20 a 59 anos soma 13.521 pessoas (53,9%), com maior concentração em 20-29 anos (4.321 pessoas). Isso sustenta a pressão cotidiana sobre saúde da mulher, saúde do trabalhador, saúde mental e acompanhamento de hipertensão, diabetes e outras condições crônicas na APS.

O topo da pirâmide já exige planejamento específico. A população de 60 anos ou mais soma 2.782 pessoas (11,1%), patamar que tende a crescer durante o quadriênio e demanda linha de cuidado da pessoa idosa, atenção domiciliar, prevenção de quedas, cuidado farmacêutico e manejo de multimorbidades.

A razão de sexo total é de 103,4 homens para cada 100 mulheres. A inversão feminina aparece a partir de 15-19 anos, padrão compatível com maior longevidade feminina; nas faixas anteriores, a predominância masculina reforça a importância de ações de saúde do homem, prevenção de causas externas e cuidado relacionado ao trabalho.

5. Grandes grupos etários

GrupoPopulação%
Crianças (0-14 anos)6.33625,3%
Adolescentes (15-19 anos)2.4269,7%
Adultos (20-59 anos)13.52153,9%
Idosos (60+ anos)2.78211,1%
Total25.065100,0%

Análise por grupo

As crianças de 0 a 14 anos somam 6.336 pessoas (25,3%). Mesmo quando a base infantil começa a retrair, o volume ainda exige agenda forte de puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa de famílias em maior vulnerabilidade.

Os adolescentes de 15 a 19 anos representam 2.426 pessoas (9,7%). O grupo precisa aparecer no PMS com ações de saúde sexual e reprodutiva, saúde mental, prevenção de violências e acidentes, além de articulação permanente com educação e assistência social.

Os adultos de 20 a 59 anos são o eixo demográfico do município, com 13.521 pessoas (53,9%). Essa concentração exige uma APS capaz de manter acesso oportuno, acompanhamento longitudinal de condições crônicas, cuidado pré-natal e puerperal, saúde do trabalhador e ações de redução de riscos relacionados a álcool, violências e acidentes.

Os idosos somam 2.782 pessoas (11,1%). A pressão ainda pode parecer menor que a demanda adulta, mas é a que mais tende a crescer em complexidade: multimorbidade, uso contínuo de medicamentos, reabilitação, prevenção de quedas, cuidado domiciliar e integração com a proteção social.

Para o PMS 2026-2029, a síntese é organizar a rede para duas velocidades: manter resposta robusta às demandas de crianças, adolescentes e adultos no curto prazo, e antecipar capacidade para o envelhecimento no médio prazo. Essa leitura deve orientar metas de cobertura, agenda programática da APS, qualificação do cadastro e pactuação regional dos pontos de atenção que o município não consegue resolver sozinho.

6. Índice de dependência e razão de sexo

Índice de dependência

ComponenteCálculoValor
Dependência juvenil (0-14)6.336 / 15.94739,7%
Dependência senil (60+)2.782 / 15.94717,4%
Dependência total9.118 / 15.94757,2%

Pela convenção etária do indicador, para cada 100 pessoas de 15 a 59 anos existem cerca de 57 pessoas fora dessa faixa (0-14 ou 60+). Em Bujaru, a leitura deve combinar a pressão da base infantil (39,7%) com o peso crescente do segmento 60+ (17,4%).

Como ler este indicador

O índice de dependência é uma medida estrutural de composição etária. No Brasil, segue a metodologia do DATASUS/RIPSA — Indicador A.16 (Razão de Dependência), que adota explicitamente POPA0014 (0-14 anos) e POPA6099 (60 anos ou mais) como população dependente e POPA1559 (15-59 anos) como população em idade ativa — recorte alinhado à definição de pessoa idosa do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003, art. 1º). Não é um diagnóstico de dependência econômica ou funcional efetiva.

Em municípios rurais e de menor renda, parcela expressiva da população 60+ permanece economicamente ativa, sustentada por aposentadoria rural (Lei 8.213/1991, art. 39 e 143), BPC (Lei 8.742/1993, art. 20) e arranjos familiares em que o trabalho continuado de pessoas idosas é determinante para a subsistência.

Para o planejamento, este caderno usa o índice como sinalizador de tendência demográfica — não como medida da carga efetiva sobre a economia familiar ou sobre o sistema de saúde. A demanda real por serviços da pessoa idosa exige análise complementar sobre capacidade funcional, multimorbidade, suporte familiar, moradia e renda.

Razão de sexo: 103,4 homens para cada 100 mulheres

A razão de sexo geral é de 103,4 homens para cada 100 mulheres. A inversão com predominância feminina aparece a partir da faixa 80+, padrão compatível com maior sobrevivência feminina em idades avançadas. A leitura por faixa ajuda a orientar ações de saúde do homem, prevenção de causas externas, saúde sexual e reprodutiva e cuidado longitudinal da pessoa idosa.

FaixaMasculinoFemininoRazão H/100M
0-41.012975103,8
5-91.0781.038103,9
10-141.1271.106101,9
15-191.2031.22398,4
20-292.1912.130102,9
30-391.8181.816100,1
40-491.6751.544108,5
50-591.2311.116110,3
60-69768720106,7
70-79441411107,3
80+19524778,9

7. Transição demográfica: sinais para o PMS 2026-2029

Composição etária de 2025

GrupoPopulação% do total
Crianças (0-14)6.33625,3%
Adolescentes (15-19)2.4269,7%
Adultos (20-59)13.52153,9%
Idosos (60+)2.78211,1%
Tendência populacional pós-Censo: entre 2022 e 2025, a população passou de 25.405 para 25.065 habitantes, com saldo de -340 (-1,3%). O sinal demográfico para o PMS é de redução, mas o dimensionamento da rede deve observar a composição etária e não apenas o volume total.

Base da pirâmide e topo idoso

RecortePopulação% do total
0-4 anos1.9877,9%
5-9 anos2.1168,4%
10-14 anos2.2338,9%
60-69 anos1.4885,9%
70-79 anos8523,4%
80+ anos4421,8%

A base infantil (0-14) soma 6.336 pessoas, enquanto o grupo 60+ soma 2.782 pessoas. Essa combinação exige preservar capacidade materno-infantil e, ao mesmo tempo, antecipar linhas de cuidado para idosos, sobretudo quando o cadastro, os fluxos vitais e a dispersão territorial pressionam a APS.

Componentes do balanço demográfico recente

Pelo SINASC local, foram registrados 1.490 nascidos vivos entre 2022 e 2025; pelo SIM local, foram registrados 550 óbitos, resultando em saldo natural de +940 no período. No último ano observado, os registros apontam 364 nascimentos, 158 óbitos e saldo de +206.

Como referência operacional para a APS, o e-SUS AB municipal registra 32.518 cadastros ativos sem óbito para uma população IBGE 2025 de 25.065 habitantes (129,7% da população oficial). Essa diferença deve ser tratada como pauta de higienização cadastral e pactuação entre população territorial e população operacional.

8. Implicações para o planejamento em saúde

8.1. Reorganização da atenção materno-infantil

A população de 0-14 anos ainda é numerosa em termos absolutos (6.336 pessoas). O PMS deve preservar puericultura, vacinação, vigilância nutricional, saúde bucal infantil e busca ativa, com qualificação do cuidado por criança acompanhada.

8.2. Atenção ao adolescente

A faixa 15-19 soma 2.426 pessoas. O planejamento deve prever saúde sexual e reprodutiva, prevenção de gravidez precoce, saúde mental, prevenção de violências e articulação com escolas e assistência social.

8.3. Expansão da atenção ao idoso

O grupo 60+ soma 2.782 pessoas (11,1%). A rede deve avançar em cuidado domiciliar, estratificação de risco, acompanhamento de hipertensão e diabetes, prevenção de quedas e integração com proteção social.

8.4. Enfrentamento das causas externas e saúde do homem

A razão de sexo e a distribuição por idade devem orientar ações de saúde do homem, prevenção de acidentes e violências, vigilância de causas externas e organização da urgência, especialmente nas faixas jovens e adultas.

8.5. Dimensionamento e adequação da APS

A trajetória de redução populacional não autoriza reduzir capacidade de cuidado. O PMS deve ajustar cobertura, agendas programáticas e denominadores usando IBGE como população oficial e e-SUS AB como base operacional de acompanhamento.

8.6. Vigilância em saúde e condições sensíveis à APS

A combinação de vulnerabilidade social, demanda infantil, DCNT em adultos e crescimento relativo dos idosos exige monitoramento de ICSAP, imunização, agravos crônicos, saúde mental e eventos evitáveis.

9. Problemas identificados

#Problema identificadoEvidência
P1Índice de dependência demográfica de 57,2% sinaliza pressão simultânea da base infantil e do envelhecimento sobre a redeCálculo etário 2025; seção 6
P2Grupo 60+ soma 2.782 pessoas (11,1%), exigindo expansão progressiva de cuidado à pessoa idosaEstrutura etária 2025
P3Base infantil 0-14 soma 6.336 pessoas (25,3%), mantendo demanda relevante de puericultura, vacinação e vigilância nutricionalGrandes grupos etários 2025
P4Trajetória populacional pós-Censo 2022-2025 em redução, com saldo de -340 habitantes (-1,3%)Série IBGE 2022-2025
P5Saldo natural positivo de 940 pessoas no quadriênio, que precisa ser lido junto com migração, revisão censitária e cadastro e-SUSSINASC/SIM local 2022-2025
P6Diferença entre população e-SUS AB ativa e população IBGE 2025 (129,7%) exige higienização cadastral e regra clara de denominadorese-SUS AB local x IBGE 2025

Fonte dos dados demográficos: IBGE, Censo 2022 e estimativas populacionais consolidadas no Data Warehouse Akapu a partir das fontes oficiais do IBGE, consulta em abril de 2026. Dados complementares: SINASC, SIM e e-SUS AB local quando disponível.


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